PERGUNTAS FREQUENTES
Exponho as perguntas mais frequentes que habitualmente os pacientes gostariam de esclarecer.
Não é muito diferente de uma consulta habitual.
Existe alguma confusão em relação à osteopatia. Alguns chegam a considerar que é algo semelhante aos "endireitas", enquanto outros a vêem como uma espécie de complemento da fisioterapia, algo como uma fisioterapia avançada. Não há relação nem com “endireitas” nem com fisioterapeutas. A osteopatia é uma entidade autônoma própria.
Fundada nos Estados Unidos, a osteopatia nasceu da iniciativa de médicos e para médicos. Uma vertente dessa abordagem foi subsequentemente exportada para outros países, onde se observaram diferentes critérios de regulamentação, ora desregulada, ora regularizada de diversas formas. Contudo, o foco central recai sobre a osteopatia na sua forma original, ou seja, tal como é praticada nos Estados Unidos. Essa é a que estudamos, a que conhecemos e a que praticamos.
Chegado aqui é o momento do osteopata determinar se o seu paciente precisa de um tratamento osteopático ou se deve ser derivado ao médico de família, ao reumatologista, ao cardiologista, etc.
Caso seja apropriado ser tratado por osteopatia, o osteopata vai desenvolver algumas manobras para corrigir as DSA e prescrever algum tratamento. Indicará se procede alguns exercícios em casa, dará algumas dicas de hábitos de vida, etc.
Basicamente os médicos osteopatas (DO) nos Estados Unidos utilizam o método SOAP para a consulta de osteopatia, tal como os demais médicos (MD).
A osteopatia que se pratica nos Estados Unidos não faz sessões.
O doente é consultado pelo osteopata. Depois de avaliado, se procede ser tratado, recebe o adequado tratamento corretor da DSA. Lhe será indicado algum tratamento que fará em casa e na maioria dos casos não será necessária uma segunda consulta, salvo casos excepcionais.
Alguns pacientes me perguntam quando devem voltar. Depois de lhes explicar o que é a osteopatia alguns me dizem que há osteopatas que fazem sessões. Bem, isso não sei, eu pratico a osteopatia que se faz nos Estados Unidos.
A legislação portuguesa contempla a licenciatura de acupuntura, assim como a de osteopatia. São duas licenciaturas independentes.
Nos Estados Unidos a formação em osteopatia é radicalmente diferente. Nas faculdades de medicina osteopática estuda-se as mesmas cadeiras que na faculdade de medicina. Depois há mais algumas cadeiras próprias para a formação em osteopatia e subespecializações. A acupuntura e a acupressão são algumas dessas.
saber mais:
As contraturas musculares formam pequenos “nós” nas fibras musculares e são a causa de 75% das dores musculares e também responsáveis por algumas, ou muitas DSA (bloqueios). Esses pontos, chamados trigger point (ponto gatilho), se “desfeitos” proporcionam um grande alívio e aumenta a eficácia da manobra osteopática (OMT). Tradicionalmente a osteopatia tem utilizado a acupuntura para isso. Depois foi comprovado que uma técnica coreana mais simples e com alguma similitude com a acupuntura, era igualmente eficaz.
A acupuntura está baseada na teoria dos meridianos e os seus pontos estabelecidos, uma técnica muito complexa, enquanto a acupuntura anatómica coreana está baseada essencialmente na anatomia. Em décadas mais recentes a investigação revelou que a acupressão é igualmente eficaz como a acupuntura e a acupuntura anatómica coreana. A acupressão utiliza basicamente um aparelho com uma ponta do diâmetro aproximado de um dedo no trigger point. É altamente eficaz para eliminar esses pontos de dor.
Tenho uma formação de três anos em acupuntura e medicina tradicional chinesa terminada em 1987, e uma diplomatura em acupuntura em 2008 pelo American College of Physicians - Philadelphia (Faculdade Americana de Médicos).
Porém, há 30 anos que não utilizo acupuntura no meu consultório. Muitos doentes têm receio das agulhas, o que é um handicap; e tem custos acrescidos ao doente pelo material descartável.
Utilizo a acupressão em lugar da acupuntura, um método que se destaca pela sua rapidez, eficácia e ausência de custos adicionais. A sua aplicação, em conjunto com o método anatômico coreano, revela-se de extrema eficácia.
A resposta curta é: a mesoterapia não faz parte do rol da osteopatia.
Porém, o profissional pode ter feito à margem da osteopatia uma formação em mesoterapia.
saber mais:
A mesoterapia foi desenvolvida em França em 1952 pelo Dr. Michel Pistor. É uma técnica que consiste na aplicação de medicamentos em baixas doses, diretamente na pele, próximo à área a ser tratada. O objetivo é minimizar efeitos colaterais e maximizar a eficácia do tratamento, focando na região específica onde a condição ou dor se manifesta. Inicialmente ele utilizava só a procaína. Mais tarde foi criando vários cocktails farmacológicos com a procaína como base. Em décadas mais recentes, muitos mesoterapeutas preferem a novocaína por ser menos alergizante.
Porém, em 1925 dois médicos alemães, Ferdinand e Walter Huneke desenvolveram um método similar com procaína que era injetada em pápulas (uma minúscula gota) nos trigger point, em cicatrizes e outras regiões segundo o caso. Chamaram a esta técnica de Neuralterapia ou Terapia Neural.
Em França, Espanha e Portugal é mais conhecida a mesoterapia de Pistor, enquanto na Europa Central e América Latina a neuralterapia dos irmãos Huneke.
Uma variante foi desenvolvida na Alemanha por médicos homeopatas. Como o objectivo da técnica é injectar a dose mínima efetiva para precisamente evitar os efeitos secundários e colaterais os médicos homeopatas começaram a utilizar a neuralterapia com fármacos de baixa diluição homeopática. Esta técnica acabou por ter um grande auge nos anos 80 e 90 em Espanha entre médicos naturistas, homeopatas e acupuntores. Foram criadas secções colegiais nos Colégios Oficiais de Médicos (Ordem de Médicos), e foram feitos cursos de formação tantos em algumas universidades como nos mesmos Colégios de Médicos. Em 1993 fiz uma formação em mesoterapia e outra em neuralterapia homeopática.
É eficaz, mas há mais de 18 anos que não utilizo. Pelas mesmas razões apontadas na pergunta anterior. Tem custos acrescidos ao paciente e não é mais efetiva que a acupressão (esta não tem custos ao paciente).
A acupressão constitui uma técnica terapêutica que se fundamenta na aplicação de pressão em pontos anatómicos específicos (trigger point, e/ou também em pontos de acupuntura). O seu objetivo é reduzir a dor e a contratura muscular e mitigar desconfortos liberando substâncias como endorfinas, que têm efeitos analgésicos e relaxantes, além de melhorar a circulação sanguínea e reduzir a tensão muscular. A acupressão prescinde do uso de agulhas, recorrendo, em vez disso, à aplicação de pressão digital, manual ou através de dispositivos especializados sobre os referidos pontos.
saber mais:
O American College of Physicians - ACP (Faculdade Americana de Médicos) e a American Academy of Family Physicians - AAFP (Academia Americana de Médicos de Família) após um longo estudo de investigação feito com mais de treze milhões de pessoas ao longo de vários anos estabeleceram conjuntamente em 2020 a nova Diretriz Clínica para o Manejo farmacológico e não farmacológico da dor aguda por lesões musculoesqueléticas não lombares em adultos. Esta diretriz oferece 3 recomendações, sendo a terceira o que não se deve fazer. Na recomendação 2b “a ACP e a AAFP sugerem que os médicos tratem pacientes com dor aguda decorrente de lesões musculoesqueléticas não lombares com acupressão específica para reduzir a dor e melhorar a função física” — Annals of Internal Medicine, vol 173, 9; doi.org/10.7326/M19-3602; Comitê de Diretrizes Clínicas do ACP e a Comissão de Saúde Pública e Ciência da AAFP. (as dores lombares possuem outra Diretriz Clínica).
Habitualmente de trinta minutos, salvo exceções.
Basicamente como uma consulta de osteopatia só que mais extensa, com mais elementos a serem recolhidos e verificados, uma vez que se trata de uma forma de clínica geral. Enquanto a osteopatia se especializa mais nas patologias músculo esqueléticas e osteoarticulares a naturopatia abarca toda a clínica. Está especialmente preparada para as doenças crónicas onde faz uma abordagem mais profunda das causas.
Não. Nos Estados Unidos, insere-se no domínio da medicina. Na Europa está regulamentada como uma entidade de saúde autónoma.
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Passou de ser uma “medicina tradicional” a uma medicina científica quando nos fins dos anos 80 do século XX um consórcio de 11 universidades americanas composto pelas Faculdades de Medicina Albert Einstein, Duke, Georgetown, Harvard, Jefferson, Stanford, Arizona, California at San Francisco, Massachusetts, Maryland e Minnesota adotaram um currículo de formação integrativa na medicina. De então para cá outras universidades adotaram a formação. Porém, a Universidade de Arizona foi pioneira em 1983 com as investigações do Dr. Andrew Weil.
Também existem faculdades de medicina naturopática exclusivas onde se formam atualmente os médicos naturopatas (ND, NMD); Bastyr University (com campus em Seattle, Washington e San Diego, California), National University of Natural Medicine (Portland, Oregon), National University of Health Sciences (Lombard, Illinois), Sonoran University of Health Sciences (formerly Southwest College of Naturopathic Medicine, Phoenix, Arizona).
Houve outras universidades de naturopatia que estiveram activas até fins dos anos 80 do século XX, como a Spanish American Natural Medical University, Inc, Flórida, com registo nº 579592, Florida Department of State, Division of Corporations (onde me formei em medicina naturopática) , ou a Susan B. Anthony University da qual o Dr. Albert Schatz foi o seu presidente entre 1973 e 1980. O Dr Schatz foi o co-descobridor da Estreptomicina (antibiótico contra a tuberculose) que valeu o Prémio Nobel de Medicina ao seu orientador Selman Waksman em 1952.
Schatz foi Assistente do Departamento de Microbiologia do Solo; Faculdade de Agricultura da Universidade Rutgers e Estação Experimental Agrícola do Estado de Nova Jersey. Bioquímico do Departamento de Saúde do Estado de Nova York. Microbiologista no Instituto Sloan-Kettering para Pesquisa do Câncer. Professor Assistente de Biologia no Brooklyn College. Diretor de Pesquisa e Professor de Microbiologia na Faculdade Nacional de Agricultura. Bioquímico Pesquisador no Departamento de Patologia e Microbiologista, Laboratório de Pesquisa Odontológica, Hospital Geral de Passaic. Chefe da Divisão de Microbiologia do Departamento de Patologia Clínica e Associado em Patologia da Equipe Médica do Hospital Geral da Filadélfia. Associado ao Departamento de Medicina Interna da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia. Professor no Instituto de Pós-Graduação em Educação na Universidade de Washington. Professor Adjunto de Ciências da Terra no Departamento de Geologia da Universidade de Washington. Professor e Membro do Corpo Docente de Pós-Graduação da Temple University. Faculdade de Educação. Professor Adjunto na Escola de Pós-Graduação da União, União para Faculdades e Universidades Experimentais. Professor Sênior. Universidade Temple. E finalmente Presidente da Susan B. Anthony University (medicina holística e naturopatia).
Em 1976 foi membro do Comitê de Honra do 21º Congresso de Naturopatia realizado em Paris. No mesmo ano também recebeu o Grand Prix Humanitaire de France em reconhecimento às suas contribuições científicas.
A naturopatia moderna e científica possui uma história extensa que não será abordada neste contexto. Nos Estados Unidos, a formação em medicina tem a duração de quatro anos, e o mesmo período é a formação em medicina naturopática. Atualmente, em 26 dos 50 Estados americanos, os médicos naturopatas são legalmente reconhecidos como médicos, enquanto nos demais Estados, embora possam exercer a profissão, não possuem a mesma legislação, não são reconhecidos como médicos apesar de terem a mesma formação médica. Os Comitês vêm trabalhando para igualar a mesma legislação em todos os Estados. Algo similar aconteceu com os médicos osteopatas que tardaram décadas em serem reconhecidos como médicos.
Em Portugal temos uma legislação incipiente aquém dos Estados Unidos. Fica muito caminho por diante para alcançar o estatuto correto. Tardamos mais de 20 anos até termos a lei 43/2003 que legisla a naturopatia, mas de forma insuficiente. Tenho a carteira profissional de naturopatia desde os anos 80 da Associação Portuguesa de Naturopatia com o nº79. Foi um longo caminho de luta para o devido reconhecimento. A lei 43/2003 é boa mas insuficiente, pois não reflete nem de todo, nem correctamente a naturopatia. Significa que ainda temos um longo caminho até alcançarmos o estatuto correcto.
A terapia manual faz parte da formação da naturopatia; há uma formação em quiroprática e em osteopatia.
A acupuntura faz parte do currículo de formação da naturopatia. Portanto, o naturopata está capacitado para praticar a acupuntura.
saber mais:
Adicionalmente, existem Mestrados onde as faculdades de medicina naturopática disponibilizam uma especialização em acupuntura. Por exemplo, a National University of Natural Medicine oferece desde 1993 um Mestrado em Ciências em Medicina Oriental, e desde 2008 um Mestrado em Acupuntura.
Tenho uma formação de três anos em acupuntura e medicina tradicional chinesa terminada em 1987, e uma diplomatura em acupuntura em 2008 pelo American College of Physicians - Philadelphia (Faculdade Americana de Médicos).
Porém, há 30 anos que não utilizo acupuntura no meu consultório. Muitos doentes têm receio das agulhas, o que é um handicap; e tem custos acrescidos ao doente pelo material descartável.
Utilizo a acupressão em lugar da acupuntura, um método que se destaca pela sua rapidez, eficácia e ausência de custos adicionais. A sua aplicação, em conjunto com o método anatómico coreano, revela-se de extrema eficácia.
Mais demorada do que uma consulta de osteopatia, a primeira consulta tem uma duração média de uma hora a uma hora e meia. Considerando que se trata de uma área altamente especializada e que o tempo necessário é duas a três vezes superior ao de uma consulta de osteopatia, os honorários são proporcionalmente mais elevados. Não é comparável um paciente com uma lombalgia resultante de um esforço indevido, ou um ‘mau jeito’ ou má postura, ser tratado com osteopatia, que um paciente diabético, hipertenso, com múltiplas patologias e polimedicado.
Por essa razão, por questão de agenda, peço aos pacientes que especifiquem ao agendar se a consulta é para osteopatia ou para naturopatia.